CAMPANHAS ELEITORAIS PELA INTERNET

CAMPANHAS ELEITORAIS PELA INTERNET

O aperfeiçoamento do processo eleitoral é uma realidade. Desde a
informatização do voto até o advento das novas mídias capazes de
mudarem rapidamente o comportamento dos seus usuários, o processo político passou a ser alvo de especulações sobre o impacto damultimídia no relacionamento do candidato com o eleitor.

As tecnologias de informação e comunicação aplicadas ao processo
político eleitoral alteraram as estratégias de relacionamento dos
candidatos com a imprensa e os eleitores. Nos EUA, era Clinton marcou
o início dessa transformação. Mas foi com a eleição de Obama que essa nova realidade tornou-se mais nítida.

A indústria de Tecnologia e serviços multimídias ocupa cada vez mais
espaço no mercado político e na economia. Eleições são rituais sociais
e políticos que concentram grande atenção da população, mesmo em
países onde o voto não é obrigatório, porque ocorre um aumento
exponencial de ações de comunicação política e de mobilização
comunitária por parte dos interessados, geralmente os candidatos, seus
partidos e setores da economia direta e indiretamente envolvidos no processo eleitoral.

O impacto da convergência midiática aperfeiçoa processos eleitorais
rapidamente, influenciando o comportamento da sociedade de consumo,
cuja dinâmica torna-se cada vez mais complexa e efêmera. Eventos
espetaculares e sazonais, como eleições, concentram muitos recursos e
esforços para atrair a atenção do cidadão consumidor/eleitor. Essa é
uma faceta da realidade multimídia da Sociedade do consumo e do
Estado do espetáculo.

O debate político ocorre em sistemas comunicativos complexos e de
difícil decodificação pelo senso comum, espaço onde se concentra a
maioria dos votos desejados pelos candidatos. Por isso, configuram
desafios para os gestores de campanhas eleitorais a obtenção de um
adequado posicionamento de seus candidatos, de forma a resultar em
mais visibilidade e influência sobre públicos variados simultaneamente.

A aplicação da linguagem publicitária ao discurso político resulta na
divulgação de slogans, palavras de ordem e discursos sintéticos, como
se fossem curtos comerciais, e no surgimento da figura do candidato/produto artificialmente construído. A midiática sociedade de consumo e a política espetacular são resultados de uma nova cultura de massas, que induz à anonimalização do indivíduo, à perda de identidade individual, à participação política instantânea, sem envolvimento consistente no processo decisório, em quase todas as instâncias.

Eleitoralmente, predomina a busca do voto e não o debate. A mobilização social e política ocorre por eventos e não por causas ideológicas e questões sociais estruturalmente relevantes. O desafio maior da sociedade do espetáculo e da cibercultura política é democratizar o acesso à informação inteligente, aquela que ajuda o cidadão a fazer a escolha correta. E esse processo ainda é incipiente na atualidade.
Mas, o poder de indução a comportamentos midiáticos poderá influenciar a construção da representatividade política.

Vivemos, ainda, uma transição na qual interagem a cultura política
“tradicional” e a nova mídia.

A proliferação de vídeos com entrevistas e debates nos novos canais,
como o You Tube, que ocorrem na fase preparatória para as eleições,
demonstram o poder de difusão das idéias dos candidatos, mas não
garantem a assimilação coletiva nem a formação de uma consciência
crítica do cidadão eleitor. Essa condição está vinculada tanto ao
acesso aos canais de difusão como a uma boa educação política, que
produza a melhor escolha, aperfeiçoando as relações democráticas.

A síntese desse processo deverá gerar um novo Estado espetacular mais
interativo e capaz de induzir a decisões/escolhas muito rapidamente. É
desejável seja focado nos direitos individuais do cidadão e privilegie
o interesse comum.

A política brasileira experimentará nos próximos meses o uso intensivo
da Internet, com suas ferramentas e dos vários canais de difusão de
informação, tudo voltado para as eleições de outubro.
Será possível conhecer o potencial real do mercado político brasileiro
e seu desempenho midiático. É muito provável que as experiências
sejam bem sucedidas, não obstante o alcance geográfico e qualitativo
da Internet ainda não ser capaz de alterar o processo eleitoral
incisivamente, como acontece com a televisão e o rádio. Mas, seguramente, influenciará qualitativamente no resultado das eleições.

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