COMUNICAÇÃO SUSTENTÁVEL

COMUNICAÇÃO SUSTENTÁVEL
RELAÇÕES INTERNAS OTIMIZADAS

Falar sobre a sustentabilidade da comunicação nas organizações é desafiador, sobretudo porque as transformações que o processo comunicacional experimentou foram surpreendentes, além de descontínuas. O impacto da tecnologia de informação sobre a comunicabilidade organizacional é crescente, ensejando novas formas relacionais e imprimindo novo ritmo de funcionamento às organizações. Evidentemente essa nova realidade multimídia é produto de pressões exercidas multidimensionalmente.
Isto significa que o ambiente relacional interno às organizações vê-se obrigado a responder a diversas demandas, tanto do prisma tecnológico, quanto processual e de conteúdo. A convergência multimídia obriga as organizações a se realinharem para atender às várias demandas tecnológicas, estruturais e relacionais. Na prática, a gestão da comunicação tornou-se função estratégica, uma vez que a comunicação, estruturalmente, dinamiza o processo e interfere no ritmo organizacional.
A competição no ambiente externo é crescente e incide sobre as organizações públicas e privadas. A interdependência entre as organizações públicas, que, em tese, cuidam da regulação e monitoramento dos mercados e as organizações privadas, que, competem pelo aumento de sua participação no mercado, leva a intensificação dos conflitos inter e intra organizacionais. Essa realidade marca nova etapa no funcionamento das organizações e nas relações entre pessoas, como agentes do processo decisório.
A comunicação organizacional refere-se à conectividade sistêmica entre as diversas microestruturas que formam a organização e abrange todos os mecanismos interacionais que compõem seu tecido institucional. Assim, as várias dimensões nas quais as organizações são percebidas e decodificadas constituem o ambiente no qual a cultura organizacional se desenvolve, a partir do relacionamento das várias equipes e pessoas que compõem a estrutura humana da organização.
A comunicação interna tornou-se uma das preocupações gerenciais prioritárias. Diante disso, estruturaram-se fluxos formais de informação entre as diversas áreas componentes das organizações, baseados na hierarquia e na verticalização, com um direcionamento de cima para baixo, denotando a estrutura de poder organizacional vigente, na qual o poder decisório concentra-se na cúpula da organização e cabe aos operadores, na base, executarem as decisões.
A resultante mais significativa dessa estratégia gerencial foi o comportamento reativo e a descompetitividade, devido ao engessamento da participação no processo decisório. Apesar de, sob vários aspectos, esse modelo de gestão ser desvantajoso, conseguiu produzir resultados positivos em vários setores da economia, mas numa época na qual os ambientes de negócios não sofriam a pressão desenfreada que sofrem hoje. Sobretudo em decorrência da interpenetração de mercados, da desregulamentação de várias economias, dos avanços da telemática, da logística, e das conquistas políticas da sociedade, referentes a direitos sociais e do consumidor.
Esses direitos de cidadania incidem sobre as organizações nas suas relações com o público externo e também sobre o público interno, que precisa se preparar melhor para atender as demandas do público externo. Essa realidade social expressa nova condição organizacional, vivemos a era do endomarketing, do marketing voltado para o ambiente interno. Marketing significa fazer o mercado, ou seja, estimular o mercado interno a funcionar dinamicamente. No caso específico do marketing interno, é decisivo o bom gerenciamento de duas grandes estruturas organizacionais: a comunicação e as atitudes (a emoção na organização).
A gestão estratégica da comunicação organizacional, e da emoção humana é uma exigência da atualidade, pois as mudanças estruturais verificadas nos mais diversos ambientes sociais induziram a um novo ritmo de funcionamento organizacional. O sucesso empresarial está diretamente vinculado a boa gestão do capital intelectual. Daí, a importância crescente da otimização das relações internas e da comunicação humana e organizacional.

Antonio Flavio Testa

Sociólogo/Prof. de Marketing

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