Crise Política, Impeachment e Lava a Jato

Crise Política, Impeachment e Lava a Jato

A semana começou politicamente tensa devido às expectativas dos depoimentos e debates a serem travados na comissão do impeachement no Senado Federal.  A discussão sobre o cometimento de crime de responsabilidade pela presidente da República, se forem considerados os inúmeros depoimentos de reconhecidos profissionais especializados em Orçamento público, legislação fiscal e outros atos legislativos, torna-se redundante, pois tudo indica que houve crime continuado.  Isso é inegável.

A desculpa – agora “esfarrapada”- de que um “golpe” estava em andamento no país revela o amadorismo do governo e seus defensores. É uma pena, para eles, que seu marketeiro e fazedor mor  de slogans, esteja preso e não pode dar sua necessária contribuição para arranjar outro termo, de maior apelo midiática, como fez de outras vezes.

O próprio advogado da presidente da república já não utiliza com tanta ênfase o argumento vazio de que há um possível golpe em andamento, nas suas prolixas argumentações. A inútil tentativa de usar setores do Itamaraty para anunciar um golpe, mostrou apenas o quanto o governo usa indevidamente órgãos do Estado, para defender interesses de grupos corruptos e descompromissados com o futuro da nação, que se alojaram em áreas estratégicas do governo.

A tentativa de usar organismos internacionais, como a UNASUL e até a ONU para denunciar algo que, de fato, não existe – o propalado “golpe”, demonstra o quanto de desespero foi acumulado nestes últimos dias de agonia de uma presidente que não conseguiu cumprir o que prometera em campanha e tornou-se uma das mais ineficientes gestoras públicas de nossa história republicana.

Sua lembrança será, seguramente, amarga e dolorosa para a sociedade brasileira, sobretudo para aqueles setores mais carentes e beneficiários das políticas assistencialistas mantidas por setores que produzem e pagam impostos absurdamente altos.

Interessante notar que um governo, com quase quatro mandatos e dois presidentes, chega ao ocaso com o repúdio da maioria dos brasileiros. Esses governos, além de favorecerem aos grandes bancos e  grandes empreiteiras, num primeiro momento ofereceu benesses aos mais carentes, garantindo uma aceitação popular sem precedentes na história do Brasil.

Somente os vários segmentos médios da população desconfiavam dessa estratégia, que favorecia os bilionários, dava migalhas aos miseráveis e sobrecarregava a classe média.

Evidentemente a crise é basicamente brasileira, não obstante a presidente alegar que é internacional. Essa é só mais uma desculpa de quem não conseguiu negociar com um Congresso difícil, corrupto em boa parte e fisiológico na quase totalidade. Não conseguiu também se descolar da corrupção que grassou de forma extraordinária nos governos do PT, deixando boquiabertos os corruptos históricos de plantão. Estes invejaram a competência do PT e de alguns aliados para se apropriarem indevidamente do dinheiro público, com a suposta certeza de impunidade. Deu no que deu. Lava a jato e impeachment.

O conjunto da obra petista produziu resultados lamentáveis. Um partido que sempre utilizou a bandeira da ética, praticamente transformou-se num arremedo de cuspe e fezes em praça pública. É tragicamente vergonhoso ver aqueles que se venderam como a esperança que vencia o medo, se transformarem em arautos do escárnio e do desprezo cívico, do desamor e do desapreço ao bem comum.

O ocaso desse governo, desvela a verdadeira máscara do cordeiro que se vendia com a imagem de madre Teresa e agora apresenta sua real faceta, a de um lobo; que despreza o outro, se especializou na expropriação do dinheiro público e demonstra um ódio social sem precedentes.

 Comunistas sempre tentaram nivelar por baixo, dividindo a miséria, enquanto os atuais cleptocratas no comando do governo se deleitam nababescamente sobre a riqueza construída pelos trabalhadores.

 Aqui, os comunistas históricos são subalternos aos donos da estrela vermelha, um pequeno grupo que controla o governo em aliança criminosa com grandes empreiteiras e bancos, descompromissados com o bem comum, apenas concentrados em atender sua doentia ambição pela expropriação do dinheiro público.

O lobo foi desmascarado. O discurso falso do “nós e eles”, construído com nociva competência pelo marqueteiro preso, não deu certo, apesar de muito usado pelo maior arauto do populismo petista, o famoso “Brahma”, codinome dado pela Diretoria de Corrupção da maior empreiteira do país, ao chefe.

Segundo informações que consta da delação premiada da ex-secretária de executivos da Odebrecht, Maria Lucia Tavares, existe um “ Setor de Operações Estruturadas”, que funciona como uma verdadeira Diretoria de Propinas, a serviço dessa criminosa e perversa estratégia de corrupção e apropriação indevida de dinheiro público.

Chegou o momento do acerto, a presidente será afastada e não deverá voltar, para o bem do país. Os arautos do caos dizem que vão incendiar o país, mas isso custa caro. De onde virá o dinheiro para bancar as claques, os sindicatos e os movimentos patrocinados com dinheiro público?

 Não creio que irão tirar dinheiro das contas no exterior para financiar o caos. Isto não é comportamento próprio desse tipo de criminosos, donos de doentia e pervertida ganância.

Ao contrário, terão que gastar muito dinheiro com os advogados, que deverão enriquecer muito, mas muito mesmo, com a longa defesa desses criminosos; que em poucos dias serão afastados do poder.

Haverá uma virada histórica, não sabemos se será para melhor. Mas só de haver mudança na lógica de expropriação do dinheiro público, surge um lampejo de esperança. Tomara que nenhum governo consiga deter a Lava a Jato e outras operações policiais e investigativas para combater a corrupção e o crime. Que o país possa vivenciar novos tempos!

O país está quebrado sim, os governos passados fizeram por onde e conseguiram quebrar o país. Mas o Brasil é muito rico, tem grande potencial e capacidade de retomada do crescimento. Mas é preciso mais atenção da população na escolha de seus governantes e exigir que os órgãos de fiscalização fiscalizem de verdade e ajam preventivamente. De nada adianta, ficar tentando corrigir o mal feito.

Essa estratégia é muito conhecida e “manjada”, não dá em nada.  O que foi recuperado do dinheiro público roubado, só na Petrobrás, não paga nem a “gorjeta” dos serviçais da quadrilha.

É preciso analisar racionalmente o processo político nacional. Em todos os jogos de poder as disputas se acirram em torno do controle do patrimônio público, que se expressam no embate pelo comando da máquina de governo e pela gestão do orçamento público, para beneficiar grupos econômicos aliados a grupos políticos.

No Brasil, esta estratégia fica muito bem evidenciada pelas descobertas da Lava a Jato, não obstante ser de pleno conhecimento as relações criminosas entre bancos, empreiteiras e partidos políticos, desde longa data. Inegavelmente, essas ações já existiam em outros governos, foi apenas aperfeiçoada técnica e criminosamente pelos governos petistas e seus aliados.

Muitas ações foram feitas na tentativa de mudar o foco das investigações e também utilizados vários recursos legais, para preservar os criminosos. Mas, até agora, sem sucesso. Se a Lava a Jato prosseguir em suas investigações descobrirá seguramente laços criminosos nos 27 estados, no Distrito Federal e em quase todos os municípios, onde há obras e compras com dinheiro público. É claro que a Lava a Jato tem filhotes e a cultura da corrupção grassa forte nas relações entre o público e o privado e também no seio da sociedade brasileira. É hora de mudar!

 

1 Comentário

  1. Gusttavo Lopes 4 anos atrás

    Concordo plenamente professor. Infelizmente nosso país está sofrendo com um mal, que inicialmente não aparentava dano algum, e que para muitos, no primeiro mandato, até que serviria para alguma coisa pois as obras de infraestrutura fluíam por todo o país. Hoje vemos essa "devastação" de investimentos e da multiplicação de obras abandonadas e sem serventia nenhuma. Infelizmente, está na nossa cultura achar que algum politico é bom pq roubou, mas fez (contrario dessa nossa governante). Temos que conseguir políticos novos e que tenham um mínimo de desejo que ser correto, pois a maioria que temos hoje, não serve.

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