DEMOCRACIA DIGITAL E PARTICIPAÇÃO POPULAR

DEMOCRACIA DIGITAL E PARTICIPAÇÃO POPULAR

As tecnologias de informação e comunicação aplicadas ao processo político eleitoral estão transformando estruturalmente os comportamentos dos candidatos, da imprensa e dos eleitores. Isso ocorre sobretudo nos EUA, desde meados da década de 1990. A era Clinton marcou o início dessa transformação. A indústria de Tecnologia e serviços multimídias ocupa cada vez mais espaço no mercado político. Eleições são rituais sociais e políticos que concentram grande atenção da população, mesmo em países onde o voto não é obrigatório, porque ocorre um aumento exponencial de ações de comunicação política e de mobilização comunitária por parte dos interessados, geralmente os candidatos,  seus partidos e setores da economia direta e indiretamente envolvidos no processo eleitoral.

  O impacto da convergência midiática aperfeiçoa os processos eleitorais rapidamente influenciando o comportamento da sociedade de consumo,  cuja dinâmica torna-se cada vez mais complexa e efêmera. Eventos sazonais, como eleições, concentram muitos recursos, esforços e atraem muita atenção do cidadão consumidor. Essa é uma faceta da realidade multimídia que caracteriza a Sociedade e o Estado do espetáculo.

O debate político transformou-se  num evento complexo e de difícil decodificação pelo senso comum, espaço onde se concentra a maioria dos votos desejados pelos candidatos, devido a diversidade de canais de comunicação e a necessidade de se obter um adequado posicionamento, que resulte em mais visibilidade e influência sobre públicos variados simultaneamente.

 A aplicação da linguagem publicitária ao discurso político resulta na divulgação de slogans, palavras de ordem e discursos sintéticos, como se fossem curtos comerciais, e na produção de candidatos artificialmente construídos.    

A sociedade de consumo midiático e a política espetacular são resultados de uma nova cultura de massas, baseada na anonimalização do indivíduo, na perda de identidade individual, na participação política instantânea, sem envolvimento consistente no processo decisório. Predomina a busca do voto e não o debate.


            A mobilização social e política ocorre por eventos e não por causas ideológicas e questões sociais estruturalmente relevantes.  O desafio maior da sociedade do espetáculo e da cibercultura política é democratizar o acesso à informação inteligente, aquela que ajuda a escolha correta por parte do cidadão.

A representatividade política sofrerá profunda alteração nesse novo ambiente e terá que ser mais bem avaliada pelo cidadão consumidor eleitor. Vivemos ainda uma transição na qual interagem a cultura política “tradicional” e a nova mídia. A síntese desse processo deverá configurar um novo Estado espetacular e, espera-se, focado em direitos individuais do cidadão.

    A proliferação de debates nos novos canais de comunicação e redes sociais,  demonstram o poder de difusão das ideias dos candidatos, mas não garantem a assimilação coletiva, nem a formação de uma consciência crítica do cidadão eleitor. Essa condição está vinculada tanto ao acesso  aos canais de difusão como a uma boa educação política, que produza a melhor escolha, aperfeiçoando as relações democráticas.

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