GLOBALIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO

GLOBALIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO
            O século XXI chega à metade de sua segunda década com características interessantes, sobretudo pelo intenso impacto que a globalização e os avanços da tecnologia exercem sobre o comportamento das pessoas, em praticamente todo o planeta, mas em escalas diferenciadas.
Essas diferenças decorrem não só do ritmo no qual a competição entre pessoas e empresas é exercida, mas também pela defasagem no acesso e assimilação das informações, não obstante o caráter on line da realidade, ou seja, a corrida pelo acesso é muito mais intensa do que em outras épocas. E a percepção e o discernimento são fragmentados. Fato que  leva, muitas vezes, ao embotamento nas análises e ao não discernimento crítico, que favoreceria a melhor decisão.
     O processo de segmentação de pessoas capazes de enfrentar a hipercompetição atual é, não só cruel, mas rigoroso e excludente.
      O problema do tempo para aproveitar as oportunidades torna-se decisivo. Tempo não se recupera, se ganha.
      A transição estrutural na economia, um processo que vai  de  mão de obra para cérebro , revela não só uma mudança de perfil na alocação das pessoas no processo produtivo, mas denota principalmente um dos grandes problemas da humanidade neste século. Problema, claro, de difícil solução.
      Em que ambientes de negócios e nichos de mercado serão aproveitados bilhões de pessoas, bem e mal treinadas no uso de alta tecnologia?
    Como os mercados funcionarão em nichos tecnologizados e altamente voláteis?
    A explosão demográfica é uma variável que definirá, sob muitos aspectos, o futuro do planeta e das pessoas. Em algumas décadas seremos mais de 9 bilhões na face da terra, buscando condições de sobrevivência, renda e satisfação de todas as necessidades humanas.
     Por outro lado, o avanço tecnológico, as transformações ocorridas nos processos produtivos e as formas de organizações sociais, exigem uma nova mentalidade, na qual as habilidades humanas requeridas não serão apenas manuais, mas muito mais criativas, tecnologizadas e capazes de resolver problemas que, na prática, ainda não estão presentes no dia a dia das pessoas, aparentemente. 
      A capacidade de transformar a realidade social e de interferir na estrutura física do próprio planeta leva as pessoas e vivenciarem desafios difíceis de serem vencidos, utilizando as ferramentas que estão à disposição das várias sociedades. Enquanto isso, os mercados se transformam numa velocidade impressionante, fato que gera defasagens estruturais entre expectativas de consumo e capacidade de abastecimento.
    Há um predomínio de problemas e não de soluções. As crises sociais, políticas e econômicas denotam, antes de tudo, dificuldades que as pessoas têm de conviver de forma compartilhada e solidária. Isso, num tempo no qual são 7 bilhões de competidores. É de se esperar o crescimento e o aprofundamento dos problemas em todas as situações e partes do planeta.
   Além dos problemas ambientais, econômicos, políticos, sociais e pessoais, existem demandas por soluções logísticas e uma infraestrutura planetária integradora. São, portanto, inúmeras e graves as grandes questões do século XXI, que poderá ser de integração étnica e mercadológica, ou de segregação estrutural entre povos e economias.
O nível de competição deverá se acirrar.
 E competir com as mesmas ferramentas e técnicas à disposição não será suficiente para se chegar ao sucesso, tanto profissional como pessoal.
      É preciso entender a dinâmica de uma sociedade planetária globalizada e excludente, sobretudo porque há uma incapacidade estrutural de se gerar ocupação produtiva para a maioria dos humanos.
      A defasagem verificada entre as necessidades do mercado produtivo, que demanda inovação, criatividade e espírito empreendedor e a incapacidade       que os sistemas de ensino, tanto público como privados, têm de formar competidores em massa.
A isso, soma-se a precariedade da ação dos governos de corrigir distorções estruturais que levam a um profundo impasse global, de caráter estratégico: como serão resolvidos os problemas de ocupação e geração de renda, para prover as pessoas, as famílias e, sob vários aspectos, até os Estados, que sobrevivem do suor de quem produz e paga impostos.
      A saída não está na infelicidade, nem na doença, tampouco nas epidemias ou  nas guerras.
A  saída está na competitividade cooperativa global. É necessária nova mentalidade e nova prática gerencial, além do desenvolvimento de práticas produtivas que gerem riqueza distributiva e não apenas especulativa, como ocorre.
   É preciso dinamizar a economia e estimular o consumo e a produção sustentáveis.
   Somente assim, será possível mudar o patamar competitivo excludente para o inclusivo e participativo, em nível global. O desafio é imenso para todos os humanos.

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