MENOS BUROCRACIA, MAIS COMUNICAÇÃO E GESTÃO ESTRATÉGICA PARA UM BOM GOVERNO

MENOS BUROCRACIA, MAIS COMUNICAÇÃO E GESTÃO ESTRATÉGICA PARA UM BOM GOVERNO

 A qualidade dos serviços públicos e o foco no direito do cidadão, como estratégia de governo, para minimizar custos, diminuir o retrabalho e o desperdício de recursos materiais e a insatisfação do consumidor, deveria nortear a ação de qualquer governante.

Uma ação estratégica de governo, na atualidade, requer a otimização dos recursos disponíveis, de forma a garantir uma boa prestação de serviços e dar condições ao governo de melhor aproveitar o potencial de recursos à sua disposição.

 

Para tanto, a principal ação estratégica de um governante, no que se refere à gestão dos órgãos públicos sob seu comando, é definir as prioridades de seu governo, e a partir dessa decisão, que deve estar embasada nas necessidades da população e na sua capacidade de executar as políticas públicas propostas, estabelecer um planejamento orçamentário detalhado e capaz de prover o atendimento às clientelas internas (servidores) e externa (população).

 

Um governante competente, necessariamente, precisa compor sua equipe com profissionais tecnicamente capacitados e comprometidos cívica e politicamente com os objetivos do governo.

Isto significa que os membros das equipes – de todos os órgãos de governo – devem estar submetidos a uma autoridade capaz de delegar, dar feedback e avaliar o desempenho do pessoal sob seu comando.

 Cabe ao gabinete do governante gerenciar o desempenho de todo o governo, para avaliar se os recursos estão sendo aplicados corretamente e se o atendimento à população está compatível com a missão da organização e  se está gerando satisfação ao cidadão.

 O combate a burocracia excessiva, gerada sobretudo por órgãos de controle, com cultura gerencial burocrática e reativa, precisa se tornar alvo de ação estratégica, por parte do governador.


É necessário priorizar a gestão interna, otimizando a aplicação dos recursos materiais e principalmente diminuindo  o tempo gasto na relação do servidor com seus pares e com o cidadão.

 
Essa melhoria terá impacto significativo no custo da máquina pública, no aumento da satisfação do cidadão, que demanda serviços públicos mais bem prestados e ensejará a diminuição do aparelhamento político fisiológico dos órgãos de governo.

 A diminuição da burocracia exigirá ações gerenciais de articulação entre  o executivo e os demais órgãos de controle e o Ministério Público, para definir linhas de ação  capazes de facilitar a gestão e não engessar ainda mais o desempenho do governo.

 Para tanto, é fundamental que a integração entre os órgãos de governança seja implementada com tecnologia de informação e comunicação de última geração e que os servidores sejam treinados e avaliados durante todo o período de governo.

  Um dos maiores problemas de governança está na alocação inadequada e fisiológica de pessoas não qualificadas e não comprometidas com os objetivos do governo – em áreas de atendimento ao público (o que é verificável em muitas áreas do governo).

 E na delegação mal feita a gestores, que – via de regra, desconhecem os objetivos do governo e tampouco têm preocupação com a satisfação do usuário dos serviços públicos.


Estes problemas gerenciais são basicamente decorrentes da falta de uma liderança e de estruturação de ações administrativas que cristalizem a vontade política do líder.

Explico: pouco adianta um líder carismático – que tenha influência sobre a máquina de governo, se esta não estiver preparada adequadamente para transformar seu carisma em ação, por meio de políticas públicas efetivas e eficazes.

 Geralmente os gabinetes civis dos governos agem como coordenadores das ações internas do governo, mas nem sempre produzem o resultado esperado, eventualmente porque a autoridade do chefe da casa civil nem sempre é aceita pelos demais membros das outras áreas de governo.

 E também porque a liderança precisa ser exercida na base, onde o cidadão se relaciona com o Estado. O líder precisa estar presente, se não é possível fisicamente, sua forma de governar deve expressar sua liderança.

 Os problemas de mal atendimento ao público decorre, em grande parte, da lógica de coalizão que é imposta aos governos para ter maioria no parlamento e outros compromissos fisiológicos do próprio governador.  E também da estabilidade de vários servidores que não tem interesse em trabalhar com competência e nem se subordinam à liderança da área, pois não são avaliados.

Essa forma de governo tem produzido muitos problemas de desempenho, prejuízos e insatisfação social. É hora de mudar.


A composição das áreas estratégicas do governo e daquelas que têm relação direta com o público, devem ser priorizadas e o governante deve estar atento aos seus desempenhos, pois elas produzirão reflexos positivos ou negativos na imagem do governo e consequentemente do governante.

 Os governantes, ao longo dos mandatos, tendem a priorizar obras que produzam supostamente mais visibilidade e popularidade ao chefe de governo, mas costumam deixar a descoberto áreas de grande impacto sobre a sociedade, como a segurança pública, a saúde, a mobilidade, a questão hídrica, o saneamento etc.

 Isto se constitui numa grave miopia estratégica, porque essas áreas se tiverem uma boa gestão e o governo souber usar as milionárias verbas publicitárias à sua disposição, poderá utilizá-las para informar e educar a população, por meio de campanhas educativas e não por intermédio do recurso rasteiro de ações publicitárias falaciosas; que fazem apenas proselitismo publicitário e não produzem efeito sob o comportamento da sociedade.

Um bom governante saberá priorizar o uso da verba publicitária para se relacionar com a sociedade e não para atender interesses econômicos, nem pagar dívidas de campanha.

Temos uma sociedade mais esclarecida, menos suscetível a ações populistas e demagógicas. Nossa população está cada vez mais descrente da ação dos políticos, cujas promessas não são cumpridas da forma que são feitas.

 

O uso correto da estrutura de comunicação necessariamente tem que ter conotação estratégica, e não ser apenas reativa e informativa.
Cabe à comunicação agir de forma a antecipar o debate, promovendo discussões e utilizando todos os recursos que a tecnologia de informação e comunicação e redes sociais variadas dispõem, para promover a interação entre governo e sociedade.

Vivemos uma nova etapa no processo político, no qual o cidadão está mais atento, mais crítico e tem uma forma de participação no processo ainda não totalmente decodificada pelos governantes.

Portanto, a área de comunicação social do governo não pode ser apenas de assessoria de imprensa e nem de cuidar só da imagem do governante.

Precisa aprofundar suas ações nas redes sociais, prospectar problemas, para antecipar a ação da necessária área de gestão de crises, que nem todo governo mantém, (outro equívoco gerencial).

 O gabinete de crise tem que ser permanente, porque governar significa, antes de tudo resolver problemas e enfrentar crises; uma vez que é necessário aplicar a lei (nem sempre justa, nem democrática) e atender demandas dos grupos de pressão, que são cada vez mais organizados e capazes de interferir nos processos decisórios. Estes têm grande poder de mobilização social, porque dominam bem o uso das redes sociais.

Síntese:

O governante deverá:

·         priorizar sua gestão de forma a minimizar o desperdício, o retrabalho e a insatisfação social;

·        compor suas equipes com líderes qualificados e comprometidos com os objetivos de seu governo. (sem cair nas armadilhas do fisiologismo, da política de coalização e nem em compromissos não republicanos).

 
·        implementar uma área específica, no seu gabinete, com autoridade para acompanhar o desempenho das demais áreas, com caráter eminentemente técnico e gerencial, para medir o desempenho, identificar problemas estruturais e entraves funcionais ( disputas internas, sabotagens, má vontade, incompetência etc), e propor soluções em tempos hábeis .

 

   A ação da comunicação social deverá ser ampliada, para fortalecer o relacionamento com a sociedade, por meio da ação das redes sociais e da prospecção de problemas, antes que se avolumem e tornem reativa a ação do poder público, que sempre fica na defensiva, em relação à pressão dos grupos de interesses.

     O  uso estratégico da milionária verba de publicidade deve ser contemplado, com foco em campanhas educativas.

Ao priorizar a gestão profissionalmente economizará recursos e tempo, além de diminuir a máquina, diminuindo gastos e facilitando a gestão de pessoas.

Essas são algumas das necessárias posturas de um governante para os tempos atuais, no País.

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