SEGURANÇA PÚBLICA E PAZ SOCIAL NA AMÉRICA LATINA

SEGURANÇA PÚBLICA E PAZ SOCIAL NA AMÉRICA LATINA

A situação da segurança pública na América Latina, passa pela prevenção e controle de ações de delinquência e educação de qualidade, além da necessidade de se implementar políticas de infância e juventude consistentes e com foco em um projeto futuro de convivencialidade pacífica e democrática, entre pessoas.

Segundo estudos internacionais, a sensação de insegurança é um problema não só psicológico, ou emocional, mas sim um problema político, que se espraia por praticamente toda a América Latina, em dimensões diferenciadas, mas crescentes em intensidade. Isto causa um mal-estar coletivo, cujas consequências mais visíveis estão no descrédito do poder público, com suas instituições e na desconfiança sobre a competência dos líderes nacionais para resolver questões atinentes à violência social e à segurança pública.

Em setembro de 2016, o renomado jornal El País, publicou uma importante reportagem na qual demonstra que

“A insegurança é o grande tema político em quase toda a América Latina. Tornou-se um dos principais assuntos em praticamente todos os países. Durante as últimas eleições no Peru, foi a principal questão abordada no debate que quase levou à vitória de Keiko Fujimori. Na Venezuela, México, Brasil e até em países mais tranquilos, como a Argentina, a violência já é a principal preocupação. Os dados explicam por quê. 

Quase 135.000 pessoas foram assassinadas no ano passado na América Latina e no Caribe, segundo cifras do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que organizou uma reunião de especialistas durante uma semana em Buenos Aires.

Essa violência e seu combate têm um custo de cerca de 120 bilhões de dólares (384 bilhões de reais) por ano, o que equivale a 200 dólares (640 reais) por habitante. Tanto que a América Latina poderia ter um PIB per capita 25% maior se alcançasse cifras de insegurança semelhantes às do resto do mundo.

Os países da América Latina têm muitas diferenças entre si, mas há duas coisas que claramente os une: a insegurança cidadã e a desigualdade. Nos últimos anos, com o enorme crescimento econômico em função do maior preço das matérias-primas, e com as políticas redistributivas de governos de esquerda, a pobreza diminuiu em quase todos os países. A cobertura de saúde e educação também foi ampliada, mas quase nenhuma nação conseguiu melhorar os índices de segurança. Ao contrário: a situação piorou até mesmo nas que estavam melhor, como a Argentina. ”

Sabemos que as políticas vigentes de combate a criminalidade, ao narcotráfico e os sistemas penitenciários não têm funcionado como deveriam, pois, ao invés de constatarmos a diminuição da violência e a ressocialização de egressos das prisões, o que verificamos é o aumento – em escala exponencial –  de crimes contra a vida, contra o patrimônio e  do nível de competência das organizações criminosas.  
Estas desenvolvem alianças formais e informais com vários sistemas da economia e da política, sobretudo buscando tornar legítimo o dinheiro obtido pelas suas ações criminosas.
Em 2006, Moisés Naim, renomado editor da revista Foreign Policy, publicou uma obra chamada Ilícito,esse estudo detalha um lado pouco conhecido da globalização. Depois de uma década de pesquisa, informa que 10% do PIB mundial é produzido por atividades ilícitas:
“As redes mundiais de comércio ilegal de armas, drogas, órgãos humanos, imigrantes, bens falsificados, prostitutas, arte roubada, além do terrorismo e da lavagem de dinheiro são hoje uma parte consolidada da economia internacional e movimentam centenas de bilhões de dólares ao ano. 
 Contrabandistas, traficantes e piratas sempre existiram, mas nunca com um poder econômico que gira em torno de 10% de todo o comércio mundial, muito menos com um poder político capaz de controlar nações inteiras.”

 Com dados surpreendentes e exemplos atuais, faz de Ilícito uma contribuição indispensável a todos que desejam conhecer um pouco mais sobre essa nova economia global, mais interligada, mais rápida e menos sujeita ao controle dos Estados.

A globalização trouxe inúmeros benefícios para a economia formal, mas também favorece muito as atividades ilícitas, porque, sobretudo não existem mecanismos eficazes de fiscalização e controle democráticos e cooperativos que produzam soluções para o crescimento econômico e o desenvolvimento social com justiça e equanimidade.

Os desafios estão postos, cabe aos governos e aos gestores dos poderes instituídos debaterem soluções e elaborarem políticas públicas capazes de, implementadas, produzirem bons resultados.
É necessário formar gestores de políticas de segurança com competência para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, que exige além de capacidade técnica, sensibilidade cívica.
É preciso desenvolver mecanismos de gestão capazes de avaliar a eficácia das ações públicas e inverter as prioridades dos gastos com o combate ineficaz ao crime e investir mais recursos em políticas sociais capazes de produzir cidadania e paz na América Latina.

2 Comentários

  1. Vansarbren 2 anos atrás

    Tudo em paz com vC?

    • Autor
      Antônio Testa 9 meses atrás

      Sim. tudo em paz. E contigo?

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*